
A Inglaterra, naquela época(por volta do século XVI), era comum a sentença de morte à roubos em geral,normalmente os sentenciados eram pobres, miseráveis e pessoas que roubavam por x motivos, ou até mesmo por necessitarem de comida, ou ainda por ser um ultimo recurso de um miserável endividado, abaixo seguem alguns trechos tirados do livro - A Utopia:
''A escassez geral obriga todo o mundo a restringir sua despesa e sua criadagem. E os que são despedidos, para onde vão? Mendigar ou roubar, se têm coragem.''
''A estas causas de miséria ajuntam-se ainda o luxo e as despesas insensatas. Lacaios, operários, camponeses, todas as classes da sociedade, ostentam um luxo inaudito nas vestes e na alimentação. Que direi dos lugares infames, casas de tavolagem de todos os jogos, do baralho, do dado, do jogo da péla e da conca, que devoram o dinheiro de seus freqüentadores, e os impelem diretamente ao roubo para reparar as perdas?''

''Arrancai de vossa ilha essas pestes públicas, esses germes do crime e da miséria. Obrigai os vossos nobres demolidores a reconstruir as quintas e burgos que destruíram, ou a ceder os terrenos para os que quiserem reconstruir sobre as ruínas. Colocai um freio ao avarento egoísmo dos ricos; tirai-lhes o direito do açambarcamento e monopólio. Que não haja mais ociosos entre vós. Dai à agricultura um grande desenvolvimento; criai a manufatura da lã e a de outros ramos de indústria, para que venha a ser ocupada utilmente esta massa de homens que a miséria transformou em ladrões, vagabundos ou lacaios, o que é aproximadamente a mesma coisa.''

''Se não remediardes os males que vos assinalo, não vos vanglorieis de vossa justiça; é ela uma mentira feroz e estúpida.''

''Abandonais milhões de crianças aos estragos de uma educação viciosa e imoral. A corrupção emurchece, à vossa vista, essas jovens plantas que poderiam florescer para a virtude, e, vós as matais, quando, tornadas homens, cometem os
crimes que germinavam desde o berço em suas almas. E, no entanto, que é que fabricais? Ladrões, para ter o prazer de enforcá-los.''
Aqui tem outro trecho que foge desse assunto, fazendo a comparação de um médico com a de um príncipe:

''Em conclusão, tal como um médico imbecil que só sabe curar doenças dos pacientes provocando-lhes outros males, o príncipe que só sabe governar os suditos tirando-lhes a riqueza e a comodidade da vida tem de confessar sua incapacidade para governar os homens.''